Rosario (Jacareí - SP)

Inauguração pública : 16/10/1943
Endereço : Praça Barão do Rio Branco, 35 - Centro
Proprietários : Empresas Reunidas Máximo (Albano Máximo e filhos).
Capacidade : cerca de 1200 lugares
Em funcionamento ? : Não. Fechou em 1998.
Curiosidades :
Em 1974 passou por ampla reforma promovida por Nilo Máximo. O imóvel ficou abandonado por muitos anos e hoje abriga uma churrascaria.














O cine Rosario era o meu preferido. Administrado pela Família Máximo, este cinema era considerado da elite, enquanto o Rio Branco e, principalmente, o Avenida, surgido muitos anos depois, era do povão.

Na minha juventude, este cinema exibia coisas inimagináveis para um cinema de interior. Periodicamente eram exibidos festivais de filmes. Uma semana inteira era dedicada a um tipo de filmes como Os Reis do Riso (Charles Chaplin, O Gordo e o Magro, Harry Langdon), Festival Tom & Jerry, Festival de Operetas (Nelson Eddy e Jeanette MacDonald) e muito mais. Sem contar os seriados. Os meus preferidos eram e, ainda são, "O Misterioso Dr. Satan" (morria de medo daqueles robôs de lata), "O Homem Foguete" (sonhava, um dia, em ter um equipamento e poder voar como ele) , "Os Perigos de Nyoka" (adorava Kay Aldridge, pois seu uniforme, com um shortinho até os joelhos, fazia a molecada assobiar, e a sexy bandida Vultura e seu animal de estimação, um horrível gorila), "Império Submarino" e "Os Tambores de Fu-Manchu". 

Nunca vou esquecer de "Sinfonia Carioca", com minha atriz brasileira preferida, a Eliana Macedo. Nem o dia em que o CinemaScope foi inaugurado, com o filme "O Manto Sagrado". Depois veio "Lança Partida" com Spencer Tracy, "O Príncipe Valente" com Robert Wagner (e seu indescritível penteado) e Janet Leigh, "O Escudo Negro de Falworth" com Tony Curtis e a mesma Janet Leigh, etc.

A projeção e o som eram impecáveis. O responsável pela projeção era um senhor que chamávamos de João Caolho. Era um craque! Numa época em que a projeção era feita com luz de eletrodo de carvão, qualquer descuido queimava o filme, isto raramente acontecia com o João. Sabia a distância certa dos eletrodos e a imagem era sempre muito nítida, clara. Até em filmes nacionais dava para entender os diálogos, o que era raro naquela época. Como os rolos dos filmes não eram emendados, eram utilizados 2 projetores e ele sabia o tempo exato para passar de uma máquina para a outra. A gente nem percebia.

Houve uma época em que se comemorou não sei quantos anos do cinema nacional (desculpe a falha de memória). Foi uma semana exibindo filmes nacionais em cópias recuperadas: "O Cangaceiro", "O Pagador de Promessas", "Os Cafajestes" (versão censurada, é claro - estávamos em plena ditadura), "Macunaíma", "Como Era Gostoso o Meu Francês", etc. Ao todo foram 14 filmes, todos em cópias perfeitas. "Ganga Bruta", de Humberto Mauro, foi exibido com acompanhamento ao vivo de violino e piano.

A cabine de projeção era de uma limpeza impressionante. Não se via um pedaço de filme jogado no chão, ao contrário da cabine do filme "Cine Paradiso".

O último filme que assisti no maravilhoso cine Rosario, foi "La Bamba", nos anos de 1980. Ficou por muito tempo fechado e hoje virou churrascaria. Uma pena.

Por Roberto Tanisho
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1. Arquivos institucionais e privados

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Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

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Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

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Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

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