Metropole (São Paulo - SP)

Trecho de artigo publicado no periódico "Cine Repórter" (02/1964), que descreve as características do cine Metropole em sua inauguração:

Inaugurada mais uma luxuosa sala de espetáculos - CINE METROPOLE

Uma autêntica sala de visitas para nossos hóspedes e um motivo de justo orgulho para os paulistas. Harmonicamente combinados, luxo, beleza e conforto, numa realização que honra São Paulo e nossa cinematografia. Detalhes da magnífica obra, que é uma joia engastada no Conjunto Metropolitano de Compras.

A inauguração do cine Metropole, no Centro Metropolitano de Compras na Rua São Luiz, Praça D. José Gaspar, veio demonstrar que já atingimos o máximo, no que se refere ao conforto, ao luxo e à beleza de um cinema. Realmente, o cine Metropole pode ser considerado, justamente, como o máximo em matéria de cinema, pois, por menos apaixonados que fossemos, não poderíamos colocá-lo senão no ponto mais alto a que São Paulo poderia atingir, quanto a cinema-conforto, cinema-luxo, cinema-beleza.

Conjugando esses três fatores, todos plenamente realizados, o cine Metropole assumiu, desde o momento de sua inauguração, na data da fundação da cidade, em 25 de janeiro último (1964), a responsabilidade, altamente honrosa, de funcionar como a sala de visitas de São Paulo, local de obrigatória presença de quantos visitam a nossa capital.

Majestade e beleza

O "hall" do cinema é majestoso como uma catedral, combinando harmoniosamente os vidros dos portais com os metais reluzentes de suas escadarias, os cristais de seus lustres, em estilo Maria Teresa, e tapeçaria que mais parece coxins, em que se regalam os pés cansados. Suas duas amplas salas de espera são dois aristocráticos salões de recepção, finamente decorados por Pivatelli. Os lambris, de madeira de lei artisticamente trabalhados, combinam com a decoração das paredes, onde cerca de dezoito lustres, com focos de luz que vão desde sete até 16 lâmpadas, completam o conjunto. O teto, todo de gesso trabalhado, é outro motivo de beleza e distinção no conjunto de recepção, que faz o público realmente sentir o toque de beleza que imana de todo o conjunto.

O salão de exibições

O salão de projeção ocupa área aproximada de mil metros quadrados, dividindo-se em três lances, para maior comodidade do seu público. Mil e trezentas poltronas, construídas num modelo especial e exclusivo, todas com espaldares (encostos) duplos e revestidas de plástico avermelhado, distribuem-se pela sala de exibições, com intervalos folgados entre cada fileira, de modo a proporcionar o máximo de conforto ao público.

Palco e telas

Todo o revestimento das paredes é em plástico especial que faz lembrar seda. Uma grande tela, de 17 metros, destina-se às projeções em CinemaScope enquanto, outra menor, de 12 metros e meio, serve para as películas panorâmicas. Diante da tela temos amplo palco, com escadas de acesso, que permitirá desfiles ou qualquer cerimônias, ou mesmo, para uma orquestra. Tudo, enfim, foi previsto, a fim de que o cine Metropole possa enfrentar qualquer eventualidade.

Som e projeção Hi-Fi

Quanto aos aparelhos de som e projeção, são da marca Simplex-XL, os mais modernos e perfeitos que existem, apresentando absoluta alta fidelidade, tanto quanto ao som como no que se refere à imagem. Esses fatores, aliás, podem ser facilmente comprovados assistindo-se à comédia "Carícias de luxo", com Doris Day e Cary Grant, que inaugurou o cinema e ainda se mantém em cartaz, gozando de grande preferência do público.

Para maior comodidade de seus frequentadores, o cine Metropole conta com duas bilheterias, inferior e superior, esta servida por escada rolante. No nível do salão de espera superior está a galeria do Centro Metropolitano de Compras, um autêntico jardim de inverno, com suas lojas e "boutiques", das quais grande parte já em funcionamento.

A festa da inauguração

A festa de sua inauguração, dividida em duas fases - ante-estreia de gala no dia 24 de janeiro e solenidade de entrega ao público no dia 25, aniversário da fundação de São Paulo - constituiu verdadeiro marco na vida social de nossa capital. Recebidos fidalgamente pelos dinâmicos homens de cinema Florentino Llorente e José Luiz de Andrade, os convidados já tinham, à entrada, a demonstração de que, finalmente, São Paulo tinha um cinema que podia ser considerado um dos melhores do mundo.

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BIBLIOGRAFIA DO BLOG

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Acervos particulares de Luiz Carlos Pereira da Silva, Caio Quintino e Ivani Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.